• Dra. Fernanda Sampaio

Cirurgia plástica e tabagismo

Que o cigarro faz mal não é nenhuma novidade. Porém, a maioria das pessoas acha que os malefícios são só relacionados ao câncer de pulmão, por exemplo, e a longo prazo.

O que acontece é que o cigarro afeta - e muito! – a oxigenação das células, produção de colágeno, distribuição de nutrientes para a manutenção e regeneração da pele e dos tecidos, além, claro, de comprometer o bom funcionamento dos vasos sanguíneos, dos pulmões e das condições cardiorrespiratórias.

Ou seja, dificulta o processo de recuperação, aumentando as chances de complicações como necroses de pele, infecções, rompimento de suturas, manchas, queloides, tromboembolismo, entre outros aspectos agravantes. Além de tudo isso, ainda pode deixar o paciente mais vulnerável à anestesia, criando a possibilidade de surgirem problemas que poderiam ser evitados.

“Tá, mas isso significa então que eu vou ter que parar de fumar para sempre?”

Pela sua saúde, esse seria o ideal. Mas para tranquilizar os fumantes de carteirinha, não, não precisa ser pra sempre a pausa. O recomendado é que pare de fumar cerca de 1 mês antes do procedimento e mais 1 mês após a operação, para intervenções simples. No entanto, é sempre importante você conversar com sua médica cirurgiã, pois ela poderá avaliar todas as condições de risco e histórico do paciente, podendo indicar mais precisamente o período de acordo com o procedimento a ser realizado.

Com essa simples interrupção temporária do vício, o índice de complicações pode cair cerca de 21% a 41%!

Mas vale lembrar: os “e-cigarrettes” ou “cigarros eletrônicos”, muito usados por quem quer parar de fumar, também não podem ser utilizados durante esse período de preparação nem depois do procedimento, pois também contém outras substâncias prejudiciais e uma pequena quantidade de nicotina.

Antes de fazer a cirurgia, o paciente deverá assinar um termo de responsabilidade, informando que recebeu todas as informações, que está ciente das possíveis complicações se não parar de fumar, e afirma seguir à risca as orientações médicas. Se por algum motivo o paciente não concordar em parar de fumar ou não conseguir largar o vício, a cirurgia deverá ser cancelada para sua segurança.

O pós-operatório também é mais complicado em fumantes, pois esses têm maior tendência a tossir mais e mais forte, por exemplo, o que pode abrir os pontos e dificultar a regeneração da área afetada.

Os procedimentos faciais em especial são mais contra indicados para fumantes, porque há uma grande chance de ocorrer necrose nos tecidos em pontos específicos. Os picos de pressão sanguínea também podem causar sangramento na incisão e aumentar o tamanho de um dos lados do rosto por causa do hematoma.

Assim, é importante que quando você decidir passar por uma intervenção cirúrgica, você fale com a cirurgiã, seja sincero sobre o cigarro e a possibilidade de você conseguir abandonar o vício durante o período recomendado pelo médico, para fazer o procedimento de forma segura.


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